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domingo, 13 de dezembro de 2015

o tal do complexo de atlas


A Florentina de Gezuis sabe dos paranauê do Atlas...

O complexo de Atlas é uma expressão típica usada para denotar o quanto um indivíduo carrega de peso (Ou o mundo se preferir) nas costas por conta de um débito com a sociedade/particular ou pelo simples fato de jogarem o fardo todo para cima dele.

Assim como o mito do titã Atlas (Não, ele não era da formação original dos Titãs, tá?) - que foi condenado a segurar literalmente o globo terrestre (Há divergências sobre o globo e a abóboda celestial, aí o peso seria terrivelmente pior) em suas costas por toda eternidade - muitas pessoinhas fofas e sem estrutura de um magnânimo personagem fictício indestrutível também sofrem do mesmo castigo.

Se é que é castigo, algumas vezes nascemos com esse fardo antes mesmo de sabermos quem somos no mundo. Uma herança talvez, um sintoma da sociedade contemporânea que não conseguiu estabelecer suas regras, ou sim, também pode ser castigo.

Vejo com frequência jovens como eu, chegando aos 3, tentando arduamente expressar algo que seja seu unicamente. Algo original, algo que os satisfaça como de autoria própria, algo que faça a vida ter sentido do modo como dá, mas o bendito do fardo que carregam às vezes atrapalha o processo de maneira cruel.

São jovens (E crianças também, por que não? Já vi gurizada de 10 anos mais sábias que muitos marmanjos de 30 e 40 por essa vida de biblioteca escolar) que lentamente vão testemunhar sua falência de movimentos bruscos por conta da dor nos joelhos e na lombar por carregar o peso do mundo nas costas. Sem querer. Sem pedir. Sem ter garantia de quando vão se livrar daquilo.

Afunilando mais  reflexão aqui, os complexados de Atlas suportam mais do que deveriam, mais do que suas estruturas ósseas, emocionais e psicológicas conseguem manter. Cada esforço para dar um passo em mudança ou até mesmo sair do lugar é tão dolorido quanto carregar o fardo. Alguns não se dão conta disso até verem o fardo do outro, outros jamais vão admitir que aquilo ali nas costas eram um fardo (Alguns tem até um orgulho mórbido dos seus), outros que conseguem deixar um pouco do fardo ser aliviado por outrém (terapia é um ótimo começo, moçada) tem essa breve lembrança de infância quando o peso não era tanto, quando tudo era mais simples de se entender e difícil de se entrsitecer.

O fardo de Atlas (o mito) é contraditório, pois o titã claramente odiava a Humanidade por serem inferiores aos Titãs e os Olimpianos. Carregá-los para todo o sempre foi o seu castigo. Ter que suportar o peso que eles têm sob si foi o castigo, saber que era a base de sustentação de um mundo em que adoraria ter sob o controle, mas agora dominado por seres fracos e mortais era o castigo. A impotência de Atlas para realizar suas ambições e suas paixões foi o seu fraco: carregar o mundo nas costas a consequência.

Atlas de bronze por Lee Lawrie e Rene Paul Chambellan
em frente a Igreja de São Patrício em NY.

Mas como nós, meros mortais, temos em comum com o famigerado titã?
(Eu, por exemplo sempre gostei do Arnaldo Antunes)
(Sim, isso foi uma piadinha infame)

Nós carregamos no fardo os nossos sonhos, nossas angústias, nossas frustrações, nossos medos, nossas realizações, nossos amores e muito mais. O fardo é nosso. Ali também contém um pedaço de nós mesmos. Como então dar a lôca e jogar isso tudo pro alto? Como é possível se sentir aliviado de algo que faz parte de você desde que você se constituiu como pessoa?

Como carregar o mundo (o seu) e mais dos outros pode afetar nossa própria personalidade?

Ter a realização que há um fardo universal e que estará ali já é um bom começo. Ter a noção de que esse fardo vai moldar muitas das suas escolhas na vida (E de outras pessoas também) é algo importante a se relevar. Mas deixar que o fardo se transforme num hiper-ultra-blaster-megazord que ocupa totalmente a sua vida e não te deixa respirar, aí sim temos um problema. Claro que há certas situações em que o fardo é autenticado e pregado a sua lombar e que nunca mais irá sair - vejamos os fardos familiares com nós na ponta tão apertados, que deixar escapar algo para liberar o peso pode ser fatal para toda uma comunidade - e esses se deve ter muito cuidado. Esses fardos de difícil desassociação estarão lá sempre, não vai adiantar esvaziar um bocadinho agora, algum dia eles voltam com mais volume.

Os fardos para nós são diversos, mas quase convergindo para o mesmo ponto de apoio: as costas.

É ali que se encontra a maior parte dos nossos órgãos vitais - coração, pulmão, estômago, fígado - e é ali que a sustentação do fardo se aloca para se adaptar melhor ao indivíduo. Muito da distribuição de peso vai para o coração e o estômago, o restante do conjunto sofre com o peso estrangulando músculos, comprimindo artérias e trincando ossos. Não adianta fazer academia, ter alimentação saudável, ser cidadão "de bem", pagar impostos, seguir as regras, o fardo estará ali, pesando mais e mais enquanto a vida prossegue.

Por experiência particular, eu soube do meu fardo ao estabelecer o Outro. O meu contato com outras pessoas me deu noção de que meu fardo pode aumentar ou diminuir se assim eu me permitir. Saber o limite do Outro é estabelecer um limite para essa pandoca aqui que vos escreve. Tenho essa noção chata internalizada desde pequena, do o que ou não devo fazer para não aumentar o meu fardo e os ao meu redor. Sei que é extremamente delicado e impossível realizar isso com maestria, mas tem funcionado um bocadinho quando tento colocar as coisas em ordem novamente na sustentação dos meus joelhos.

Farnese Atlas em mármore - escultura romana.
Ter a consciência do fardo do Outro é importantíssimo para sabermos até onde podemos aguentar o nosso fardo e hey! Por que não talvez ajudar no fardo do Outro? É uma boa concepção de vida, me parece justo ter o conhecimento do meu fardo e querer compartilhar com quem está perto de mim (Ou longe, viva a Internet!). Talvez o meu fardo seja parecido com o seu. Talvez o seu fardo não me seja compreensível de desamarrar o bendito nó para esvaziar um pouco, mas só de termos contato e percebemos mesmo que os fardos podem ser aliviados, tudo muda na nossa vida.

Sinceramente só queria que alguns fardos de gente chegada a mim não fossem tão pesados. Isso vai encurvando a pessoa de tal maneira que o sentido da vida dela vai se tornando o fardo.
(Já disse que dá probreeeeema, pois então. Dá.)

Muitos de nós temos essa sensação de Atlas carregando o mundo nas costas, é até corriqueiro dizer isso de alguém que você conhece que parece estar carregando tantos problemas e tantas situações de vida que é difícil vê-lo superar ou aliviar aquilo. Cada fardo é um fardo e cada um carrega o seu. Ao meu ver, nenhum titã que participou da Titanomaquia (Aquela briguinha besta entre deuses e eles que trouxe castigo eterno pra uma pancada tipo, Sísifo, Tântalo, Prometeu e talz...) recebeu uma punição, mas sim uma consequência daquilo que mais almejava em sua vida.

Isso talvez possa ser transposto para o fardo nosso de cada dia.

Eu acredito que meu fardo seja eu mesma produzindo aos poucos para me atolar algum dia em breve nas minhas próprias mancadas, besteiras e decisões. Isso só veio com a percepção do Outro, o fardo de outrém me dá noção de como devo carregar o meu. Vi muitos fardos na família sendo cruéis e massacrando pessoas até sua completa inexistência como indivíduo. Esses fardos em formas distintas (garrafas, pílulas, papéis, malas de viagem, quinquilharias de segunda mão) trouxeram projeção pro meu fardo: até hoje morro de medo de estar carregando peso demais quando não deveria ter algum. E só o morrer de medo de não carregar algum já é um fardo.

Eita círculo vicioso.

Cuidar do fardo também não deve ser trágico, mas precisa de cuidados especiais para não se perder a cabeça (Literalmente). Há fardos que nem posso imaginar como são alojados distribuídos em costas tão sensíveis e pequenas. Há fardos que enxergo tão bem que para mim chega a ser uma forma implícita de ajudar, mesmo que não seja na hora, mas com um simples gesto de: "Oh, assim, olha só o meu fardo, ele também é parecido. Bora trocar figurinhas e ver se um deles se esvazia mais rápido?" - há fardos, eu sei, que não irei compreender - e desses eu tenho um apreço mais especial em desvendá-los para o dia que alguém precisar de pelo menos uma conversa rápida sobre pesos, medidas, equilíbrio e taxa de importação/exportação.

E já que estamos no final de ano, pensar nos fardos costuma ser algo mais acentuado quando há tantas reuniões familiares. Fardos esses que são bem pesadinhos por assim dizer, eles costumam ficar por um bom tempo se mexendo e revirando o restante do conteúdo do fardo que a gente carrega (Às vezes faz uns caírem por terra e ao invés de sentirmos alívio, é um enorme pesar por ter deixado escapar). Sei que o texto de hoje foi sério, mas é bom para deliberar quando estivermos ali, sentados na mesa de jantar, reunidos com os parentes e de repente perguntar:

O que raios eu tou fazendo aqui? Isso é demais para mim.


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Precisamos falar sobre: Iniciativa

Post motivacional patrocinado pelo Panda!

Tem tanta gente querendo mudar o mundo, ou a própria vida, mas poucas pessoas buscam realmente fazer algo para que isso aconteça. É, tá faltando iniciativa pra muita gente, seja para prestar o vestibular para o curso que realmente deseja, conseguir o emprego dos sonhos, chamar a paquera pra sair – não chamo de crush, porque não, obrigada! – abrir a própria empresa, começar a dieta ou a academia.


 Quantas vezes eu já ouvi frases como “não vou fazer porque ninguém faz” ou “faço desse jeito porque é o jeito que todo mundo faz”, para a mudança ocorrer, seja ela no que for, é preciso que alguém comece. Se conseguimos que o ódio sem sentido seja disseminado, porque não boas ideias? Tantas notícias na internet de pessoas que fazem a diferença pelo mundo afora, e tudo que elas precisaram foi de força de vontade, iniciativa.


Então não seja tímido, vamos lá, você consegue, diga o primeiro oi, corra atrás, faça a mudança acontecer, na maioria das vezes só depende de você (não tô falando de meritocracia minha gente, é iniciativa mesmo!) E quem é amigo sabe que dar um empurrãozinho não custa nada – mas por favor sejam sensatos, o empurrão não deve ser baseado no estilo Nazaré Tedesco!!!.


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

I'm Back!!


Dá o play pra animar o post! \m/

Yeah baby, tô de volta! Assim espero pelo menos, porque vou ser sincera, não tá fácil não. Tô aqui tirando pó do teclado, buscando rascunhos e revirando anotações para voltar a escrever (o blog e meu tcc, que estão mais do que congelados). Ultimamente meus dias estão muito corridos, nem nas férias eu tive folga, e graças a uma constante de problemas e tensões, meu corpo não aguentou, e agora estou aqui, me recuperando de um esgotamento mental. Por estranho que pareça, não foi meu trabalho que me deixou no limite, esse na verdade me dá uma certa paz, mas a minha vida pessoal, principalmente a parte financeira, que resolveu me surpreender com problemas aparentemente intermináveis.

Não é fácil admitir que não se está 100%, mas quando você começa a notar que uma noite de sono não é suficiente para descansar, ou que seus programas preferidos se tornaram tediosos, você percebe que tem algo errado. Uma das coisas que não conseguia mais fazer era escrever, e bloqueio de escrita é algo cruel!

Ficar parado em frente ao computador, (ou se prefere escrever no papel, ficar encarando o caderno, fazendo desenhos surrealistas impressionantes nas bordas das folhas) e não sair nada, horas e horas pra conseguir terminar um parágrafo, e ainda por cima terminar achando ruim. E quando a escrita é obrigatória, no meu caso o tcc, aí mesmo que desanda. Ser obrigado a escrever quando não se consegue parece que bloqueia triplamente a capacidade de raciocínio.

Tô recuperando meu animo, os interesses em livros, filmes, séries e principalmente em escrever, voltaram, não totalmente, mas tá muito melhor. Agora é conseguir manter o ritmo e esperar pelos dias de sol (sério São Pedro, já deu o que tinha que dar essa chuva, e olha que eu e o Sol não nos damos muito bem, mas já consegui até ficar com saudades dele!)

Fiquem ligados que esse sofá vai ficar movimentado! \o/


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Sobre juventude, envelhecer e coisas que a gente fazia quando não tinha nada pra fazer...

Um dia existiu um programa chamado Pijama Show e ele me acompanhou por muitas madrugadas da minha adolescência... Ainda existe, mas em outra rádio, que eu só tenho acesso via internet o que impossibilita que eu escute normalmente na velha rádio Atlântida que uma vez já foi tão boa.
Sabe o que é ter 14 anos e passar todas as suas madrugadas ouvindo o pijama e pendurada no telefone (da meia noite as seis que era mais barato) e ir dormir feliz, pra sonhar com tudo isso sorrindo?
Ahhh só tenho 26 anos mas as lembranças já parecem tão distantes...Hoje tudo é tão rápido, num ano acontecem tantas coisas, e doze anos já se passaram e hoje ouvindo isso aqui:


Eu to aqui chorando...ai eu tenho esse costume de viver de passado, mas é que isso traz um gostinho de vida tão bom que eu já não sentia há um tempo.

Era tão bom não se preocupar com muita coisa, apesar que eu me preocupava sim com muita coisa, mas mal sabia eu que aquelas preocupações não eram nada perto de tudo que tenho pra me preocupar hoje.

Eu não tinha nada pra fazer e dormir não era opção na madrugada e o Pi sempre tava ali, pra me escutar mesmo que quem estivesse escutando fosse eu.

Ligar o rádio e ouvir essa voz tão conhecida era motivo de sorriso imediato, assim como foi hoje com essa "Terça do ministério"  inesperada.

Acabei de lembrar que eu ainda tenho fitas cassete com gravações do místico e o famoso "Agua para os cavalos" kkk

Viver é tão mais emocionante quando se tem 14 anos...
O primeiro beijo, as enrascadas, as amigas, os enganos...

To ficando velha mês que vem e ainda não sei lidar com isso. Vou ficar aqui ouvindo meu Pijama, usando meu pijama, comendo brigadeiro e fingindo que eu não tenho trocentas coisas pra ler e um TCC pra fazer, deixa eu ser menininha de novo? Só um pouquinho?

 
 "Eu desapareci dos seus sonhos mas você não desapareceu dos meus..."

 



sábado, 29 de agosto de 2015

sobre liderança, tia do café e bibliotequeiros

[originalmente postado no blog minhavidadeescriba.blogspot.com no dia 28 de agosto de 2015 com leves alterações para esse blog aqui]


Essa breve postagem para catarse suprimida foi feita pela panda narcoléptica. Ela gosta de deliberar sobre a Biblioteconomia (Curso em que estuda e abraçou como profissão pro resto da vidinha dela) e sinceramente a criatura usou gifs de Spaceballs mais do que o permitido.
(Vão ver esse filme!! É bão demais!!)

Então já foram avisados!

===xxx===
Durante o breve tempo em que estive inserida no mercado de trabalho, os locais onde estagiei/trabalhei tiveram uma certa falta de liderança ou liderança alguma. Ou acontece da liderança estar já de saída e eu, peixinho pequeno inexperiente tenho que me responsabilizar por coisas que mal sei como acontecem.

A situação está acontecendo novamente, e mesmo com a cabeça fervendo de ideias e as mãos tateando coisas para serem feitas - e são muitas na parte mais de trazer gente pra biblioteca - aquele medo irracional de falhar horrivelmente e não conseguir fazer muita coisa se perpetua. Eu não gosto de holofotes no meu rosto, prefiro os bastidores, é lá que a dominação mundial acontece, é lá que me sinto confortável e segura, é nos fundilhos do processo que todo ao redor é transformado.

Eu gosto de gente mandando em mim (posso gostar, mas não quer dizer que irei obedecer imediatamente, tem criaturas que não lêem as regras ou o manual ou sequer conhecem a legislação, é difícil não querer contestar de alguma forma), prefiro ter alguém superior na hierarquia do que levar o chumbo grosso, sim, eu sou covarde, não, não quero ficar a frente das coisas, não quero me impor, porque aprendi que na vida você faz mais diferença sendo a tia do café, a incógnita, a precisa, a exata, a indispensável tia do café.

A lição da tia do café me foi apresentada logo no começo do curso de Biblio(teconomia oras!) e por incrível que pareça nos poucos exemplos admiráveis de pessoas que passaram na minha vida.

O causo é o seguinte: Era uma vez (como sempre) uma biblioteca especializada com quase uma dezena de bibliotecárias, em seus saltos altos, roupinha comportada e cheia de dedos devido a pós-graduação, e os usuários da unidade de informação eram pessoas do alto escalão do judiciário, gente que desconhece a vida real, aquele tipo de gente que cuida das leis, mas que faz pouco uso delas (Porque bem, todas as leis são contestáveis, né?). E havia a tia do café. Ninguém sabia o nome dela, quem era, se tinha família, se recebia salário mínimo, se tinha problemas, sonhos ou valores, os outros estavam ocupados demais sendo eles mesmos para perceber na tia do café.

Até porque EU SEI que meu café é bom. Por isso sou a tia do café.
Mas ela entregava o café com todos os pormenores para os da hierarquia do judiciário. Ela conhecia cada café bebido, cada preferência na temperatura, gosto, textura, acompanhamentos, ela sabia o nome de cada juiz, delegado, diplomata, advogado, tabelião e whatever das quantas que frequentava aquele espaço. Ela sabia quando eles precisavam de café para continuar os estudos, para terem um bom dia, para acordarem, para se sentirem bem com as pilhas de processos, ela simplesmente sabia, porque esse era o trabalho dela, saber quando o usuário precisaria dos serviços antes mesmo dele pedir.

Então numa especializada com a nata da elite judiciária, as bibliotecárias foram tirando férias, tirando licença, aposentando, mudando os turnos e ninguém percebia. Mas foi a tia do café ir pra perícia da Previdência porque estava com problemas de saúde, todos souberam. O serviço que era extremamente vital para a rotina dos advogueiros (fornecimento de café) foi suspenso. Ser servido pelas bibliotecárias não fazia sentido - o ego também não deixa nessas horas. Não é uma história feliz, nem jornada de herói: é o ser indispensável na vida das pessoas que buscam informação. É a diferença que fazemos como bibliotecários na vida das pessoas, por mais bobo que possa parecer.

O objetivo é fazer com que os usuários venham mais vezes pegar café...
Tias do café são aquelas pessoinhas que brotam em lugares precisos e de necessidade causal, prontas para auxiliar a vida dos usuários. Sem o café, o essencial líquido locomotor da energia de nossos corpos moderninhos, nada é criado ou transformado ou qualquer coisa. Sem o café, os usuários se sentem negligenciados pelo espaço em que ocupam, sem o café não há possibilidades de interação, nem que seja para perguntar: "dois ou três torrões de açúcar?". O papel fundamental da tia do café é de mostrar aqueles que são apresentáveis, ajustáveis, super entrosáveis na vida social que o carisma e a alegria eufórica de caráter que fazer a máquina rodar é algo mais embaixo.

Ser a tia do café se tornou um processo em que estou me aperfeiçoando desde pequena, fazer o melhor que posso sem ter os olhos virado pra mim. É mais interessante dessa forma, até porque chegará um dia, um bendito dia em que alguém que você serviu café irá te parar no meio da rua, e dizer algo do tipo: "sabe aquele café que derramei na mesa e você não se importou em limpar, aquele gesto fez toda diferença na minha vida." - porque eu já agradeci muitas tias do café nessa minha vida de escriba. Não por derramar o café, mas oh well fuck, vocês entenderam a metáfora!

(Um dos motivos de eu querer voltar para uma 2ª graduação foi por conat disso. Agradeci a tia da biblioteca que me deixava ficar por lá quando não queria assistir aulas ou quando precisava desesperadamente de alguma coisa para fazer para não surtar com a situação que estava ficando mais nítida lá em casa. Dona Vaninha me serviu mais que um café, ela me manteve focada nas coisas)

Esse é o tipo de recompensa que eu não conseguiria em sala-de-aula, ou na música, ou atrás de um balcão de papelaria, supervisionando uma ONG ou escrevendo manuais de ajuda ao usuário, dentro de uma biblioteca eu consigo. E todo mundo ganha aqui.

Essa sou eu agora, nesse exato momento,
Não sei lidar com liderança, não sei ser líder, amo seguir regras (as escritas, legisladas principalmente), se eu puder fazer o trabalho mais quieto e sem visibilidade alguma pras minhas fuças, esse é o esquema mais acertado. E a biblioteca que acredito (O ideal do fazer bibliotecário) é o de que esse é um espaço público de uso comum, com algumas regras sociais já pré-estabelecidas, outras que devem ser colocadas em prática para otimizar o trabalho aqui, mas infelizmente eu não irei impor a minha vontade em um local onde tenho certeza que não é meu.

E não é, nunca vai ser.
(A biblioteca é da comunidade, gente...)

Devido a sinuquinha de bico em que me encontro - falta de liderança, responsabilidades vindo para mim que não posso tomar decisões ainda, o papel de tia do café está sendo tirado de mim, não quero isso pra minha vida! Não sei como serão as coisas daqui em diante, já estive em uma situação parecida e fui podada de muitas formas (Isso tudo vai travando aos poucos o meu fazer de café...), não me sentir segura no que faço é receita pra #EPICFAIL e isso vem me perturbando demais esses dias.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A crise dos 26 – Parte 2





Tudo começou numa aula de formação e desenvolvimento de coleções, numa quarta feira qualquer. Era a primeira aula dessa disciplina e uma professora já conhecida falava sem parar, contando as suas histórias e ministrando a sua aula como de costume. Não, não é a minha professora favorita, mas tenho que dizer que ela sabe dar aula, a gente aprende muito ali, e provavelmente vamos repetir suas histórias por aí. Então, estava eu lá prestando atenção em tudo que era dito e simplesmente me caiu uma ficha, assim do nada, e eu me perguntei que que eu to fazendo aqui? Repito a aula não estava ruim, era só eu que não me encaixava mesmo. 
Não quero começar na minha vida uma fase de coisas não terminadas. Eu vou sim me formar em biblioteconomia, mas é certo que não será em quatro anos. Já ouvi historias de pessoas que desistiram do seu curso na sétima fase, e eu sempre pensei “nossa que idiota, desistir faltando tão pouco pra se formar”, hoje a idiota sou eu. A vontade de desistir de tudo, arrumar qualquer emprego que de pra sobreviver e seguir a vida é muito grande. Talvez eu esteja vivendo uma adolescência tardia, já que quando eu tinha 16,17, 18 anos e podia pensar assim eu tinha responsabilidade demais pra ser adolescente. Eu não saia de casa, estudava, trabalhava e só. As poucas saídas se resumiam a filmes na casa de amigos ou passeios pelo bairro pra comer cachorro quente. Bons amigos, aliás, que carrego comigo até hoje. Muitas vezes em algumas conversas com uma amiga em especial a gente comenta “nossa como a gente era idiota, como éramos bobinhas, a gente não aprontava nada!” e o mais engraçado era que nossas mães pegavam muito no nosso pé. Já escuto minha mãe falando: “depois de velha tu vai me incomodar? Tu nunca foi disso.” Na verdade eu não quero incomodar ninguém, só quero viver coisas que eu nunca vivi, sem ter que me preocupar tanto com o futuro e com tantas responsabilidades. “Mas você pode equilibrar as duas coisas” aham, me ensina? 

Se realmente existe essa tal de reencarnação, na próxima eu quero ser cachorro.


Ou um pardal.


Ser panda ta muito difícil. 



quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O Túmulo dos Vagalumes - Para ver e refletir

Hoje Little Boy completa 70 anos do seu lançamento. Poderia muito bem ser o título do álbum de alguma banda famosa, mas é o nome da bomba atômica que destruiu Hiroshima em 06 de Agosto de 1945. E para piorar a situação, ela não seria a única a fazer sua estreia, tendo sua companheira Fat Man, uma bomba nuclear, sido lançada sobre Nagazaki três dias depois. Nada jamais justificará o uso de armas como estas. Armas que destroem de forma instantânea e também progressiva, porque o cair das bombas não foi o ato final, e sim o inicio do sofrimento de milhares de sobreviventes. 

Falar sobre esse pós-guerra é algo muito abstrato para aqueles que nunca presenciaram situação similar. E de forma alguma é do meu desejo que um dia alguém passe por isso (mas não podemos esquecer das milhares de pessoas que diariamente morrem pelo mundo afora, decorrente de problemas diversos, causados principalmente pelo homem.)


No ano de 1988 o Studio Ghibli lançava uma animação da obra Hotaru no Haka, traduzida em português como O Túmulo dos Vagalumes ou O Cemitérios dos Vagalumes. Durante quase uma hora e meia de filme sentimos o quanto a vida e a sociedade conseguem ser cruéis para os dois irmãos protagonistas, Seita e Setsuko. Repleta de dor, sofrimento e angustia, essa animação choca e faz doer até o coração mais forte. Além de ser uma obra magnifica, ela é uma lembrança latente de que toda ação tem sua consequência, seja ela imediata ou tardia. Para aqueles que não conhecem, deixo aqui a oportunidade de ver e se emocionar, e de quem sabe refletir um pouco mais sobre aquilo que fazemos a nossos semelhantes.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

O que é o amor?

Antes de começar, uma música pra embalar a leitura :D 

Aquele frio na barriga, a cara de bobo, o sorriso espontâneo, o pensamento que insiste em se focar em uma única coisa.. é, o amor deixa a gente meio idiota, isso é fato. Aquele amor genuíno descrito pela Monja Jetsunma (lembra dela aqui?) é algo que normalmente encontramos entre pais e filhos, irmãos ou mesmo amigos, mas em relacionamentos amorosos o que predomina mesmo é o amor romântico.

Quem aí se lembra desse casal que professava o que era amar?? 
Ainda me pergunto porque os dois estão pelados? oO

A crise dos 26



Eu sei que você sabe o significado de crise, sabe na prática inclusive. Já passamos por muitas delas não é mesmo? Ela aparecerá em todas as idades, acredite, quando você menos esperar ela vai ta lá, acenando, com um sorrisinho amarelo e dizendo “voltei”. Ela te pega pela mão e diz: “serão dias inesquecíveis, pode crer!” e você vai, de cabeça baixa, com o rabinho entre as pernas...
Mas, qual a diferença entre o Lutero e Kant?
Não, pera, eu quis dizer qual a diferença em cada crise? Porque, todos sabem, ela não traz sempre as mesmas coisas, não gosta de rotina, sabe como é?
To numa dessas.
Sem ânimo pra nada, engordando cada dia mais, com um medo enorme de não dar conta do TCC, sem a menor paciência pra nada.
Posso sentir claramente que estou tentando me matar aos poucos, porque comer desesperadamente, mal conseguir levantar da cama pra ir pro estágio e não praticar absolutamente nenhum exercício físico, só pode ser suicídio a longo prazo, porque aquele a curto prazo, instantâneo a belezinha aqui não tem coragem.
Mas os 27 estão ai, quem sabe né? Hein, hein?
Desiste garota, você não é uma rock star.
Olhar pra trás e se perguntar: que que eu fiz da minha vida?
Mas você só tem 26 anos, blá blá blá...
Exatamente, eu tenho 26 anos, e o que fiz nesse tempo todo? Além é claro de sofrer pelas pessoas erradas e gastar toda minha juventude num relacionamento idiota.
O que eu fiz?
Preciso mudar toda a minha vida, mas nem sei por onde começar...
Cai na real, vc não pode mudar toda sua vida, vc já viveu 26 anos dela!
Acabo caindo sempre nesse circulo sabe?
Sabe a tristeza  sendo arrastada pela alegria e dizendo “até que é gostosinho ser arrastada”
É assim que eu to, arrastando a minha tristeza.
Só que eu me acostumei a ser assim, e ai fudeu né.
Enfim, qual é a sua crise?
Achou que eu ia dizer que vai passar, que tudo vai ser lindo e maravilhoso?
Desculpa ai, eu to em crise.

Fiquei em dúvida se postava esse texto, ai lembrei disso aqui:

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Seja você!! Em grupo ou sozinho, apenas seja você!

O post de hoje tem direito até a trilha sonora, dê o play e boa leitura!



Eu quero ficar sozinha!!! Quem já sentiu essa vontade alguma vez levante a mão. Existem pessoas que lidam melhor com seus problemas sozinhas e outras precisam de companhia para melhorar. Bem, eu pertenço ao grupo dos que preferem ficar sós. Na verdade durante boa parte da minha vida (uns 98% dela) eu preferi estar desacompanhada. Passei minha adolescência inteira em casa, trancada no quarto lendo livros e vendo filmes. E nunca achei importante estar em um grupo de amigos ou mesmo sair de casa, na verdade adorava estar comigo mesma. Atualmente todos somos encaixados em definições pré determinadas. Para pessoas com perfil como o meu, existem dois estereótipos básicos, Antissociais ou Introvertidos. Segundo o Dicionário Informal as definições para ambas as palavras são as seguintes:

Antissocial: São apenas pessoas que não se prendem a padrões sociais de convívios. Alguém que não sente a necessidade de convivência com outros, não sente necessidade de se comunicar, de ser educado, de elogiar e de ser elogiado, de se divertir com outros, entre outras partes do convívio em sociedade. Geralmente são chamados de egoístas por terem um estilo de vida individualista.

Introvertida: Oposto de extrovertido. Uma pessoa que, após interação social, necessita passar tempo sozinho para se “recuperar”. Frequentemente encontrados em suas casas, bibliotecas, parques tranquilos que muitas pessoas não conhecem, ou outros lugares isolados, pessoas introvertidas gostam de pensar e de ficar sozinhos. Ao contrário da crença popular, nem todos os introvertidos são tímidos. Alguns podem ter grandes vidas sociais e adoram falar com os amigos, mas depois precisam de algum tempo sozinho para “recarregar”. Os introvertidos são mal interpretados e vulgarmente chamados de “tímidos” ou “antissociais” porque a maioria da população é composta de pessoas extrovertidas.

Se for pra me encaixar em alguma definição chego mais perto do antissocial, apesar de várias tentativas de socializar – passei os dois últimos anos em um experimento intenso de socialização – prefiro mesmo é ficar totalmente sozinha, (tá, totalmente não, porque tenho três gatas e uma cachorra, é impossível estar só) dispenso a interação com outros seres humanos para mais do que o necessário para sobreviver. Fiz amigos nesses últimos dois anos, e tento manter certa interação com eles ainda, mas a parte de sair de casa está cada vez mais escassa. Não me arrependo do experimento, aprendi muito com ele, e fiz excelentes amigos, mas ficar isolada do mundo ainda é meu programa favorito! :D



Uma coisa importante é entender que essa noção de antissocial exposta nas mídias, e mesmo aquela em que a palavra foi definida pelo dicionário, é totalmente diferente do Transtorno de Personalidade Antissocial definido pela psicologia, então, por favor, nada de auto diagnósticos!!

O que mais me espanta é que atualmente ser antissocial aparentemente está na moda, uma simples busca no Google lhe dá várias opções de posts em sites conhecidos, com títulos como:

- Como ser antissocial (sério, criaram um “manual” para você se tornar antissocial!!!!).

Parece que todos precisam estar normatizados, dentro de seus quadradinhos, com especificações e modo de agir. São tantos testes rodando as redes sociais, nos isolando em comportamentos pré-determinados e definindo quem nós somos por nós. Ninguém mais pode ser complexo, ou você é algo ou não, e tem que seguir todos os itens da “lista de exigências” para o grupo ao qual pretende se encaixar. Ser você mesmo está cada dia mais difícil. É só expor uma opinião qualquer que logo apareceram pessoas para lhe definir em vários parâmetros, não existe você, existem subgrupos sociais ao qual aparentemente todos nós devemos nos encaixar.
Por favor, apenas seja você, busque sua felicidade, tente coisas novas, mas não deixe que essa chuva de estereótipos que inunda as redes sociais defina quem você é.


sexta-feira, 15 de maio de 2015

Romantic or Creepy? #12 Final


E hoje chegamos ao final dessa sessão bizarra e fofinha que ocupa minhas sextas. Não sou dessas de desaparecer sem dar explicações. Pela falta total de retorno, eu não sei se esta sessão está agradando ou não (sério, nem minhas companheiras de sofá aparentam curtir :’( ). Pode não parecer, mas eu tenho um certo trabalho em fazer os posts, buscar as musicas, analisar as letras, transcrever tudo, e parece que ando escrevendo só pra mim, nesse caso, vou voltar a manter essas analises no meu lindo cérebro e nada mais.
Como ultima musica escolhi uma coisa linda, que no fundo é na verdade muito Creepy.

Clarice Falcão - Monomania

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